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Rabisco
A flama vacila
concreta e nítida
no vazio das cinzas
Paulo André
Escrito por Nome às 09h12
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um poema de Idmar Boaventura
Retrato
Mil velas apagadas
luzes
que não são mais que
Que cinza
e dores.
E somos os mesmos
(a sombra e a noite),
os mesmos desde ontem,
ainda que mudados –
pois estamos perdidos
por estes caminhos rudes.
E estamos com medo
E cegos.
E percebemos mil velas apagadas
como quem percebe um rio
quando não há rio
e ouve o som das águas
e, em silêncio
aguarda.
Aguarda .
Idmar Boaventura
Escrito por Nome às 11h05
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um poema de Joaquim Gama
Silêncio
Sempre o mesmo céu.
E a eterna vontade
De morrer.
Joaquim Gama
Escrito por Nome às 11h02
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A terceira Margem do Rio
O rio ia
e ria
de tantos rios.
paulo andré
Escrito por Nome às 15h02
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Sete perguntas ao poeta Georgio Oliveira
Sete perguntas ao poeta Georgio Oliveira.
[Paulo] 1- qual a sua definição de poesia? Ela por si só se define, pois é arte, e arte é forma e forma é poder. Assim quem utiliza-se do fazer poético deve por excelência ter cuidado ,pois re-criar a suma arte é ser o ser “ antena do mundo” assim as poesia a vejo como o re-flexo do homem em sua mais pura forma.
[Paulo] 2- quais são as suas influências? Drummond ,Ferreira Gullar , Omar kayyant, Rimbaud, T.S.Elliot, Safo , Baudelaire Li Pó, To Fu , .Leio outros poetas atuais como: Mayrant Gallo , Roberval Pereyr , Antonio Brasileiro, Paulo Correia, Adriana Zaparroli, o cotidiano.
[Paulo] 4-Qual a sua relação com o nada, tema recorrente em sua poesia? O nada , por incrível que pareça, e algo com que eu sempre lido, por achar ser algo onde todas as coisas pousem e caibam, sem ser tão “gangarizadas” pelo apelo consumista que toma inclusive alguns dos que escrevem poesia hoje, onde vender é o que importa .Alem do mais , estar em contato com o “nada”, é estar em contato com o ser em sua essência primordial, onde agradar ou não é apenas um detalhe assim vivo eu com o nada .
[Paulo] 5-você como poeta emergente como vê a nova produção poética na Bahia e no Brasil? Apesar das ondas que temos que enfrentar, encaro otimista a produção literária aparece em ordem crescente, provando que o lucro não é o que move a poesia no Brasil. As oportunidades quando não aparecem as criamos. Os blogs literários estão ai para sanar as oportunidades que faltam aos menos favorecidos. O movimento literário é intenso nos “buracos’ onde freqüento , a universidade proporciona o encontro com o pessoal que escreve ,eu estou sempre buscando a oportunidade de produzir e acompanhar a produção por onde ando, o contato com poetas de outros estados também me da uma definição de como a poesia se desenrola no Brasil ,a informalidade ainda é o meu ninho por enquanto .
[Paulo] 6-defina Georgio Oliveira? Talvez esta seja a pergunta mais difícil que já me fizeram. Definir alguém é tomar-lhe a oportunidade de estar em eterna transformação. Mais vai lá: (possa ser que apos terem respondido isto eu já tenha mudado novamente) Talvez quem me leia nem consiga associar texto e pessoa, sou um misto de autóctone e paladino, vivo sempre transitando entre a sapiência e a loucura do dia a dia, e sem perder tempo cuido do dia antes que ele acabe e deite suas sombras pra parir um novo dia.
Escrito por Nome às 14h53
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um conto
Coroação
Era dia de coroação. Dalila ia ser anjo. Eu estaria na fila que levaria as rosas a Nossa Senhora. Ensaiamos a semana inteira. Uma euforia, aplacada pela repetição dos passos e pela rispidez de pró Eulália, nos tomava por nos livrarmos cedo da aula. Eu na fila com os outros meninos fazendo que tava levando as flores e a coroa e ela no altar esperando o momento de coroar a Santa. De tarde, no quintal, repetíamos, deixando de lado outras brincadeiras que inventávamos com meus carrinhos e suas bonecas. Sempre brincavamos juntos. Minha tia morava do lado de minha casa. Crescemos brincando naquele mundo que era os fundos de nossas casas.
A igreja estava lotada. Eu, cedo, tive que vim ficar na fila. Minha mãe passou minha roupa e mandou que me apressasse. Vesti a calça que já não me cabia e deixava de fora uns dedos da canela e a camisa que apertava meus braços finos. Ela penteou meu cabelo e me mandou vir. Não via Dalila. De tarde, brinquei sozinho no quintal como da outra vez que minha tia pegou a gente no cantinho atrás da mangueira. Tia Rita ralhou com a gente, deu umas boas palmadas em Dalila e a levou para dentro de casa. Vários dias, tive que inventar sozinho minhas brincadeiras.
O altar ainda estava vazio e o lugar onde ela sentaria para coroar a santa. Minhas pernas doíam e nada de começar a reza. De vez em quando, apoiava-me mais em uma perna. Vinha pró Eulália; largava um daqueles beliscões e dizia: “Isso lá é jeito de ficar na igreja menino”. E o tempo me enchia de reclamações e ralhos.
“Maria, mãe, mulher...” Começou o primeiro hino que parecia não acabar mais. E nada de Dalila. “Onde ela está?”. Eu me perguntava, sabendo que sua demora aumentaria meu sofrimento naquela fila, pois o tempo se alongaria em hinos e rezas e nas dores em minhas pernas. Só pensava em ir para casa. E minha mãe ali me olhando orgulhosa e censurando as descansadas de pernas que eu dava. Lembro de que ela dizia sempre “meu filho todo sacrifício para Deus é pouco. Depois você descansa”. Eu nunca entendi direito o que ela falava, mas não tinha jeito. Tinha que ficar na fila, era obrigado por ela e pela professora, senão repetiria o ano.
Depois de mais um hino, veio o padre com um sermão interminável. Não entendia nada do que dizia e só recordo da palavra inferno que repetira tantas vezes, veementemente. Minha mãe olhava para mim confirmando suas palavras. Eu já temia o significado daquela palavra e me endireitava na fila.
Outro hino e Dalila entrou. Vinha numa túnica de ceda branca com asas de papelão nas costas e uma auréola de papel crepom amarelo. Era a primeira vez que eu via o negror de seus cabelos escorridos, os dois pontinhos escuros em relevo na roupa alva, o corpo que dançava dentro dela e a calcinha branca que transparecia na brancura do tecido, delatando a largura de suas ancas. Dalila seguia em seu novo andar, mais firme. Olhava-a passar, entorpecido. Ela subiu no altar e abriu as pernas para acomodar a cabeça da santa. Foi, então, que tentei descobrir o mundo escuro entre elas e desejei estar no lugar da santa. Nem me preocupei com os conselhos de minha mãe sobre as heresias. Se o inferno fosse Dalila, mergulharia de cheio.
Já não me doíam as pernas. Novas sensações tomaram meu corpo. E foi a primeira vez que tive vergonha das minhas calças curtas e da camisa que apertava meus braços. Sentir algo que nunca tinha sentido, algo húmido que escorreria sobre minha perna e denunciaria minha heresia. Olhava para o sem – fim entre as pernas de Dalila, enquanto um torpor mais grave me tomava o corpo e escorreu mais forte entre minhas pernas. Olhei minha mãe e parecia que o inferno seria mais cruel para mim. Balbuciei algumas palavras de perdão e as pernas voltaram a doer. Só Dalila continuava com a santa.
Quando terminou a coroação nos encontramos na porta da igreja ela com sua mãe e eu com a minha. Ainda estava de anjo. Fomos juntos para casa. Não a olhei nos olhos, quando ela pegou em minha mão e não disse uma palavra enquanto ela falava de brincarmos amanhã no quintal. Foi, então, que percebi que tinha perdido a Dalila que brincava comigo no quintal.
Paulo André/ Julho de 2005.
Escrito por Nome às 14h45
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um poema de Georgio Oliveira
HAIKAIS

A Leve lua lima as negras horas e leva a noite embora
Escrito por gregor _sansas às 16h10
Escrito por Nome às 15h11
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Poesia
MAnchete de Jornal
Na hora vâ
em meio à lama
o sangue arfante.
Paulo André
Escrito por Nome às 16h10
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Uma Poesia de Mayrant Gallo
O universo
Olhei hoje Uma mosca Sobre o açúcar...
Olhei-a Por longo tempo...
Estava morta.
Mas num dos seus olhos Netuno...
E no outro Vênus.
Mayrant Gallo,poeta contista e prof da UEFS
Escrito por Nome às 16h05
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Poema
Poema
Na folha em branco
calo, morto
um canto.
E torto
sigo.
Escrito por Nome às 12h09
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Carnaval
Carnaval
no carnaval da solidão
passante
rasgo o eu
caem eus
feito confetes
em papéis
avulsos
Por: Paulo André
Escrito por Nome às 12h08
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Abertura
Olá, creio na poesia. Penso que ela transforme a realidade, dando-lhe multiplos sentidos. Acredito, principalmente, na poesia que transmuta a realidade. Aí tens alguns poemas que são uma tentativa de transmutação. Espero que gostem e me mandem comentários.
Paulo André.
Escrito por Nome às 11h02
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Barco
Nas brenhas deste mar de nada
de velas içadas
o barco roto
à deriva
singra
e sangra.
Paulo André
Escrito por Nome às 10h52
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O homem e a esfinge
Na rua louca
O homem roto
Em busca de um rosto
foge
oposto a esfinge
( A esfinge o devora).
Torto segue a fuga
e a esfinge
outra vez
o devora.
Paulo André
Escrito por Nome às 10h50
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A lua
A lua
puta
nasce
nua.
(A velha puta
ainda é dona
da noite suja).
Amantes
impuros
cultuam
a velha bruxa.
Refazem o puro rito
da gula
no escuro templo
da lua.
Paulo André
Escrito por Nome às 10h48
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